Como a moda está se transformando em Cuba e o que podemos aprender com isso

No coração de Havana Vieja, uma lojinha descolada chama atenção entre tantos prédios decadentes. É a Clandestina, marca cubana que está ressignificando a moda upcycling em Cuba.

Este termo, que só recentemente começou a chamar atenção da indústria da moda, já é um velha prática em Cuba. Desde a queda da União Soviética, quando a economia degringolou de vez, eles precisavam se virar com o que tinham. E o que tinham eram muitas toneladas de roupas de segunda mão.

O governo importava essas peças e as revendiam como “roupas recicladas”, muitas vezes velhas e de má qualidade. Os cubanos apelidaram essas lojas de “trapishopping” (loja de trapos).

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Mas Cuba agora vive outro momento. Está se abrindo para o mundo e a energia criativa pulsa forte por aqui. O turismo está fazendo o dinheiro circular e isso impulsiona pequenos negócios. É daí que vemos surgir espaços culturais interessantíssimos e  iniciativas como a Clandestina.

Idania del Río e Leire Fernandez são duas mulheres jovens que conseguiram criar uma empresa única. A Clandestina não se parece nem um pouco com as estatais “lojas de trapos” e também está muito longe de ser uma loja de roupas como as que conhecemos. O que elas oferecem é um discurso. Aqui, temos mais do que um exemplo funcional de moda sustentável, mas uma prova de que é possível fazer moda com significado.

A coleção vintrashe utiliza roupas de segunda mão, que trazem uma intervenção artística mais sofisticada. Acima de tudo, a Clandestina é uma loja de design. Os produtos carregam uma influencia forte do que é feito no resto do mundo. Por fora, é uma loja cool como você encontraria facilmente em Barcelona ou Nova York. Mas, olhe mais de perto e você encontrará um organismo vivo e super complexo. Como tudo em Cuba.

Eu conversei com a Leire sobre como foi este processo até aqui e para onde elas pretendem caminhar. Confira a entrevista na íntegra.

Dani: A loja me surpreendeu quando estive em Havana. É uma iniciativa muito interessante, considerando as limitações ainda existentes em Cuba. Como surgiu a ideia? 

Leire: Idania e eu nos conhecemos em 2013 e decidimos desenvolver um projeto para vender produtos que refletissem a Cuba contemporânea, o trabalho de jovens artistas, designers e músicos. Apesar do isolamento e da crise econômica que Cuba tem vivido nas últimas décadas, esses jovens tem uma visão muito conectada com as tendências globais.

Dani: Quais são os principais desafios que um empreendedor encontra na Cuba atual? 

Leire: Toda a cadeia de produção. Há restrições para importar e exportar e temos dificuldade para encontrar todo tipo de equipamento. Até mesmo agulha e linhas! Também falta cultura empreendedora. Raul (Castro, presidente desde 2008) é um grande incentivador, mas o sistema todo ainda é muito burocrático e desanimador. Trabalhar com os bancos, impostos, contratos, burocracia em geral, tudo é um desafio. É como ser a primeira pessoa a chegar à Lua. Ainda há muito a fazer.

Dani: A Clandestina é super descolada. Como é o processo de criação das peças? 

Leire: 100% dos produtos são feitos em Cuba e 80% vem de materiais reciclados: tecido, papel, sacolas, nylon, até câmaras de bicicleta. Tudo vale. Nós funcionamos como uma plataforma para talentos do Design. A Idania é responsável pela direção artística, mas há criação de muitas outras pessoas. Trabalhamos muito coletivamente.

Dani: O conceito de moda upcycling está em alta. Como vocês reaproveitam as roupas usadas na coleção vintrashe

Leire: Em Cuba o bem social e cultural está sempre em primeiro lugar. Quando pensamos em fazer qualquer coisa, pensamos sempre em como isso vai afetar o outro. É um pensamento natural. O conceito de reciclagem e upcycling estão no centro disso. Nós trabalhamos com o que os outros países consideram lixo. Pegamos isso e transformamos em algo legal, que traga impacto positivo para a vida das pessoas. Aqui temos um verbo que se chama “resolver” (acho que seria o equivalente ao nosso “jeitinho”) que significa usar criatividade e inovação para chegar aonde você quer usando o que tem em mãos. É isso o que nós fazemos. Uma peça vintrashe é puro amor e dedicação. Selecionamos as peças uma a uma, pensamos no que ela pode se transformar, desmontamos e remontamos. Leva tempo, leva dedicação. Não é possível produzir em escala industrial e isso é ótimo. Certa vez, nos pediram um grande volume de peças vintrash para vender em Nova York. Isso não tem sentido. Cada peça é única e tem sua vida e sua história.

Dani: É consumo sustentável em diferentes níveis. 

Leire: Exato. Somos uma comunidade que quer ser sustentável em uma economia quebrada. Estamos em busca de um modelo que funcione. Essa é a força que usamos para nos reinventar. Esta reinvenção precisa estar conectada com tudo o que aprendemos nos últimos anos, com a Revolução e com a crise econômica. É um legado intenso, profundo, que nos tornou muito mais críticos em relação a todo o consumo, com o que é uma real necessidade e o que é banalidade.

Dani: Temos sofrido especialmente com a cultura de fast fashion, o excesso de roupas e a ideia de que elas podem ser descartáveis. Iniciativas como a sua podem mudar isso. Como você acha que podemos utilizar a moda de maneira mais saudável? 

Leire: Idania e eu acreditamos muito no poder social das empresas. Uma empresa pode ser sustentável e ter altíssima responsabilidade. Alguns amigos nossos abriram uma empresa no México que leva luz a áreas rurais onde nunca houve iluminação elétrica, se chama Ilumexico. Eles instalam sistemas sustentáveis e ajudam os moradores com sistemas de financiamento. Isso é incrível. No setor da moda também podemos fazer o mesmo, assumir uma responsabilidade social. Mas é acima de tudo, uma decisão pessoal, como podemos assumir este compromisso em nossas vidas?

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Lojinha da ActionAid no Enjoei arrecada dinheiro para projetos contra assédio

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Você conhece a história da menina que estava pronta pra sair – e estava linda – mas ficou insegura de andar na rua porque a saia era curta ou justa demais? Claro que sim, isso acontece com a maioria de nós. Segundo uma pesquisa divulgada pela ActionAid Brasil, 90% das brasileiras já trocaram de roupa por medo de serem assediadas.

Não deveria ser assim. Nós temos o direito de ter uma vida livre de violência e isso inclui poder usar o que bem entender sem ser incomodada por ninguém. A ActionAid Brasil e o Enjoei criaram uma lojinha para a campanha #aculpanãoédaroupa. Todo o valor arrecadado será destinado a projetos sociais para empoderar e libertar as mulheres da violência.

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A lojinha tá cheia de coisas legais. Dá uma olhadinha aqui.

 

Por que 2016 é o pior ano de todos?

Tenho que concordar. Nenhum ano foi tão ruim, dramático, destruidor de lares e de sonhos como 2016. Um caos político, separação de Bonner e Fátima, aprovação da PEC 241, guerra na Síria, a Chapecoense que não chegou à Colômbia e, quando a gente acha que já está quase se livrando deste filme, a princesa Leia morre no final.

É o pior ano de todos. 

Nos vemos novamente em 2017, quando estaremos aqui fazendo as mesmas reclamações. Assim como foi em 2015.

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E como deve ter sido em 1990, quando o presidente resolveu confiscar investimentos que os brasileiros possuíam, inclusive o dinheiro suado da poupança. Consegue imaginar? O ano de 1911 também não foi muito bom para as mulheres, que não podiam votar, mas trabalhavam como operárias em péssimas condições. Indo mais longe, podemos voltar 700 anos e relembrar o ano da Grande Fome na Europa, que matou milhões de pessoas. O próprio ano 1.dC teve suas tragédias memoráveis e um rei supostamente infanticida que mandou matar todos os meninos com menos de dois anos.

Isso foi só para lembrar que o mundo sempre foi terrível e avança numa curva suave e lenta. A melhora é sensível demais para a gente notar e as más notícias sempre se destacam mais na nossa memória. Por isso, e só por isso, 2016 parece tão difícil.

Odiar o ano que passou é uma maneira de rezar para que o próximo seja melhor.

O Reveillón é o portal mágico onde podemos deixar tudo isso para trás. Este é o milagre da renovação. Quando estamos cansados e entregando os pontos, é hora de vestir branco, pular as sete ondas e entrar em um mundo novinho em folha, onde tudo vai ser melhor e diferente.

Só que não vai. O ano vai ter sua cota de tragédias pessoais e mundiais, como sempre. A sua vida vai ter dias terríveis e dias maravilhosos misturados a um montão de dias normais. Esse último tipo é o que considero mais importante, pois são os mais abundantes e onde você realmente pode fazer alguma diferença. Afinal, se nenhum acontecimento exterior extraordinário está ocorrendo, você tem total liberdade de decidir que tipo de dia terá.

Um ano é feito, em maioria, por dias normais. Escolha como você vai viver esses dias e, no final do ano, você terá escolhido o tipo do ano que passou.

Desejo que você tenha isso em mente e construa um ótimo 2017 para viver.

Um guia descolado para aproveitar o melhor de Cuba

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Eu, mergulhada em Cuba

Cuba é onde todo mundo volta mais confuso do que foi. Só por essa chacoalhada na cabeça já merece estar no topo da sua lista de viagens. Mas também é lugar lindo, com pessoas fascinantes e mais história do que você vai dar conta de compreender.

Vá com uma bagagem leve na mala e mais ainda na cabeça – sem preconceitos e sem necessidade de ter uma opinião sobre tudo. Porque qualquer que seja seu sentimento sobre Cuba, seja amor ou ódio, não vai resistir muitos dias lá. A vida de perto não tem dessas coisas porque nada é 100% bom ou 100% ruim.

Relaxe e conheça o máximo que puder. No guia abaixo, listei algumas dicas que podem ajudar a planejar a sua viagem. São orientações gerais e detalhes para anotar, mas evite ir com muitas expectativas porque:

  1. Expectativas podem destruir uma viagem.
  2. Cada experiência é única.
  3. A melhor coisa para fazer em Cuba é descobri-la por si mesmo.

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Uma contextualização rápida 

Desembarquei em Havana na semana do funeral do Fidel. A cidade estava calma e muito silenciosa, o que foi bem atípico, como descobri mais tarde. Estávamos em luto oficial. Barbara, a senhora que me recebeu em Havana, estava triste e conformada, como quem perde uma pessoa próxima da família, já em idade bem avançada. Ela não acredita que a morte de Fidel signifique o fim do socialismo em Cuba, mas sente a transformação em curso.

Dos quatro principais personagens da Revolução Cubana: Fidel, Che, Cienfuegos e Raul, restou este último, que é presidente desde 2009. As pessoas dizem que ele é mais flexível do que o irmão Fidel e está abrindo Cuba para algumas mudanças. Uma delas foi permitir a exploração do turismo e pequenos negócios. É por isso que você vai encontrar restaurantes, bares e lojinhas descoladas  como em qualquer outra capital do mundo.

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Calle Cuba, em Havana Vieja

 

Informações úteis

Há duas moedas em circulação, o peso cubano (CUP) e o peso cubano convertible (CUC). Você vai usar o segundo, que é a moeda criada para o turismo. Antes de viajar, dê uma olhada na aparência delas para não se confundir e receber o troco em CUP, que vale muito menos. Um CUC equivale a um dólar ou um euro, mas as casas de câmbio (cadecas) cobram uma pequena taxa para trocar dólar, logo, vale a pena levar euros. Não conte com o cartão de crédito porque é raramente aceito.

A internet em Cuba é ruim e muito cara. Você pode comprar cartões pré-pagos para acessar wi-fi nos principais hoteis a $5 a hora. Mas em Cuba sempre tem alguém dando “um jeitinho” e rapidamente você reconhece um cubano cadastrando a senha no seu celular por $2. Não julgue. O próprio atendente do hotel insinuou que eu fizesse isso. Para saber onde tem sinal, basta procurar um aglomero de pessoas sentadas na calçada mexendo no celular.

Para viajar é necessário visto, que você pode conseguir no embarque (consulte antes a companhia aérea). Guarde o papel do visto até a hora de voltar, você vai precisar apresentá-lo de novo. Também é exigido seguro saúde, mas você pode comprá-lo no aeroporto de Havana, que sai mais barato. Para mim, não pediram. A vacina contra febre amarela não é obrigatória, mas é recomendável.

Pegue qualquer taxi. Qualquer carro em Cuba pode ser um taxi, não se preocupe. Mas combine antes o valor. Em geral, do aeroporto ao centro de Havana fica em torno de $25 a $30. Entre Vedado e Havana Vieja, de $5 a $10. Para outras distâncias, pergunte antes para o seu anfitrião. Os carros são velhos, mas disso você já sabe. Aproveite. Esta pode ser a sua única chance de andar num Lada.

As ruas são muito escuras à noite, mas não tenha medo. Cuba provavelmente é o lugar mais seguro onde você vai pisar. O assédio aos turistas é grande. Lembre-se de que a nossa moeda vale muito mais. Vão puxar papo, oferecer uma cooperativa de charutos, qualquer coisa que possa render uma gorjeta. Um CUC seu (por volta de 4 reais) equivale a um dia inteiro de trabalho de um cubano. Por isso, o assédio aos turistas pode incomodar, mas é bem compreensível.

Vou repetir que as ruas são seguras porque este é um ponto importante aqui. Tenha isso em mente. Demorou uns dias até eu conseguir relaxar e quando aconteceu foi mágico. No terceiro dia em Havana, exausta depois de praia e muita caminhada, deitei na Plaza Vieja para descansar um pouco. No chão mesmo. Foi tão natural que só percebi depois e isso marcou o momento em que eu finalmente me senti em casa. Porque apesar da diferença histórica entre nós, qualquer brasileiro que já saiu do centro urbano para conhecer de verdade o Brasil vai perceber que, nossa, nós somos muito parecidos.

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Coco Glace, na Plaza Vieja

 

Quando ir

Assim que puder, por favor. Conheço uma pessoa que tem um ótimo critério para classificar viagens: muda a vida ou não muda a vida? Cuba muda a vida. Prefira o período entre novembro e abril para evitar a temporada de furacões. É inverno, mas não se preocupe. É quente como o Caribe deve ser.

 

Quanto tempo ficar 

Entre 8 e 20 dias é um período razoável. Quanto mais tempo, melhor, mas nem todo mundo pode, então, deixo a seguinte sugestão:

8 dias: Havana + Viñales ou Havana + Varadero
10 dias: Havana + Viñales + Trinidad ou Havana + Varadero + Trinidad
15 dias: Havana + Viñales + Trinidad + Cayo* ou Havana + Varadero + Trinidad + Cayo*
20 dias: Havana + Viñales + Varadero + Trinidad + Cayo*
mais de 20 dias: Havana + Viñales + Varadero + Trinidad + Cayo* + Santiago de Cuba

(*) Um cayo é uma pequena ilha e há vários interessantes em Cuba como o Cayo Coco, Cayo Largo, Cayo Santa María, Cayo Guillermo. Escolha um e aproveite.

Santa Clara e Cienfuegos são outras cidades que valem a visita, mas não exigem uma pernoite lá. Dá pra conhecer no caminho entre Havana e Trinidad (combine antes com o motorista!). Delas, fui somente em Santa Clara conhecer o memorial do Che, onde ele está sepultado. Vale a pena.

Fiquei 10 dias e fiz o roteiro Havana + Varadero + Trinidad, portanto, vou falar apenas sobre essas cidades. Mas há informações suficientes sobre toda Cuba na internet para montar seu próprio roteiro. Vá em frente!

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Sol, mar e rum em Varadero

 

Onde ir em Havana 

Provavelmente o primeiro destino da sua viagem, Havana exige alguns dias para se ambientar e sentir o lugar. Não tenha pressa aqui. Foi o lugar que mais gostei e investi seis dias. Dá pra fazer menos? Dá, mas eu não me arrependi e teria ficado mais, se pudesse.

Havana Vieja é o centro histórico da cidade. É onde estão os principais pontos de interesse e onde você se desloca a pé com mais facilidade. Dá pra cobrir todo o bairro caminhando. O que eu mais gosto de fazer quando viajo é bater perna nas ruas, por isso escolhi me hospedar aqui. Recomendo. Algumas ruas estão revitalizadas e são bem bonitas. Outras ruas estão caindo aos pedaços e são igualmente interessantes. Caminhe por todas, se puder. As revitalizadas são mais turísticas e estão apinhadas de gente. Se afaste um pouco para ver um pouco de “vida real”.

Vedado foi um bairro rico construído antes da Revolução. Por isso há prédios “modernos”, mansões e avenidas largas. É um bairro residencial onde estão as melhores opções de hospedagem, mas você vai precisar de taxi para ir a maioria dos locais que eu listei abaixo.

Plaza Vieja, meu lugar preferido em Havana (Havana Vieja).

Plaza de San Francisco, cercada de prédios históricos (Havana Vieja).

Plaza de Armas, onde há uma feira de livros usados (Havana Vieja).

Castillo de la Real Fuerza, uma fortaleza que virou museu (Havana Vieja).

Catedral de San Cristóbal de la Habana, construída em 1777, maravilhosa (Havana Vieja).

Plaza de la Catedral, dominada pela catedral acima e super agradável (Havana Vieja).

Callejón del Chorro, um beco na Plaza de la Catedral com bons bares e restaurantes (Havana Vieja).

Plaza del Santo Cristo, pequena praça onde ficam três bons bares: Chanchullero, Dandy Cafe e Art Pub (Havana Vieja).

Capitólio Nacional, em eterna restauração, mas vale a pena ver de perto. Na praça ficam vários carros antigos que você pode alugar para um passeio (Havana Vieja).

Paseo del Prado ou Paseo de Martí, uma alameda que começa no Capitólio e segue até o Malecón (Havana Vieja).

Malecón, começa na esquina com o Paseo del Prado e vai até o Vedado. Vá no fim de tarde para pegar o por do sol e ver as ondas explodindo no calçadão. É lindo!

Iglesia de Paula, há concertos à noite e durante o dia é possível ver o sincretismo religioso de Cuba. É comum encontrar mulheres vendendo acessórios de santería (religião afrocubana) na porta (Havana Vieja).

Mercado de San José, ótimo para comprar arte, artesanato e lembranças de Cuba (Havana Vieja).

Museo Nacional de Bellas Artes, há o museu de arte internacional e o de arte cubana. Fui no segundo, é maravilhoso (Havana Vieja).

Museo de La Revolución, conta a história da revolução cubana e o início do governo Fidel (Havana Vieja).

Callejón de los peluqueros, um beco de bares e restaurantes (Havana Vieja).

Hotel Ambos Mundos, onde é possível visitar o quarto de Hemingway (Havana Vieja).

La Bodeguita del Medio, onde Hemingway tomava mojito (Havana Vieja).

La Floridita, onde Hemingway tomava daiquiri (Havana Vieja).

Chanchullero Bar, onde Hemingway nunca esteve, mas você bebe e come muito bem por um  ótimo preço (Havana Vieja).

Clandestina, uma loja muito original com camisetas, bolsas e vintrash, recriação de roupas usadas (Havana Vieja, Calle Villegas, 403).

Todas as ruas de Havana Vieja, como Obispo, Mercaderes, O’Reilly e Mercaderes e Amargura que são as mais turísticas. Teniente Rey (Brasil), Muralla, Cuba, Aguiar e Habana são intermediárias e as demais e mais afastadas são menos turísticas e interessantes. Todos os caminhos levam a algum lugar. Perca-se.

Fabrica de Arte Cubano, um prédio onde funcionava uma fábrica e hoje é ocupado por artistas. É uma mistura de galeria de arte e balada. Interessantíssimo. Encontrei por lá, discretamente aproveitando a noite ninguém menos que o PRESIDENTE DO GOOGLE, Eric Schmidt (Vedado).

Hotel Nacional e Hotel Habana Libre, são dois locais históricos importantes em Cuba (Vedado).

Callejón de Hamel, um beco com cultura afrocubana bem interessante (Vedado).

Plaza de la Revolución, palco de manifestações e onde também está o Monumento José Martí (Vedado).

Avenida Paseo, alameda que vai da Plaza de la Revolución até o Malecón (Vedado).

Malecón, aqui é o trecho final da avenida mais famosa de Cuba (Vedado).

La Cabaña, terceiro maior forte das Américas, onde diariamente é feito a cerimônia do  cañonazo (um tiro de canhão).

Playas del Este, na praça do Capitólio você pega um ônibus de turismo que leva e busca das praias de Havana. Pergunte para o seu anfitrião qual ele indica, mas parece que Santa María é uma unanimidade.

 

Onde ir em Varadero

Quase dispensei Varadero por ter lido que era uma península dominada por resorts all inclusive. Não gosto muito do esquema e não era a experiência que eu gostaria de ter em Cuba, mas uma cubana nos fez jurar de pés juntos que iríamos até lá. É difícil mesmo resistir à areia branquinha e água azul-caribe. Reservei dois dias e fui pega de surpresa pela praia número 1 da minha vida.

Há mais o que fazer em Varadero (um cenote e passeios de snorkel), mas eu sugiro tirar um ou dois dias para relaxar na praia e recuperar as energias para seguir viagem. Se quiser ficar fora da área dos resorts, procure hospedagem em uma casa particular. Quanto mais perto da praia, melhor. É possível encontrar casas pé na areia (fiquei na Avenida Camino del Mar). Vale a pena tentar.

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Menina com trança boxeadora em Trinidad

 

Onde ir em Trinidad

Trinidad é uma cidade colonial com um centro histórico lindo e bem preservado. Parece muito com Paraty. Assim como Paraty, o centro histórico é dominado por turistas e você vai precisar caminhar pelo entorno para conhecer mais a cidade. Há muito o que fazer em Trinidad:

Todas as ruas do Centro Histórico, tire um dia para caminhar por todo o centro histórico e entrar em toda lojinha e museu que der na telha.

Casa de la Musica, um palco montado em praça pública para ouvir salsa a partir das 20h. Apesar de ser ao ar livre, paga $1 para entrar e costuma ter fila. Sentar na escadaria da praça também é uma boa opção para ouvir a música e curtir a movimentação. Trinidad é bem agitada.

La Cueva, uma balada dentro de uma caverna pra curtir reggaeton. Salsa é para turista, o que o cubano ouve mesmo é reggaeton, gente.

Playa Ancón, praia próxima onde todo mundo vai (não fui).

Cayo Blanco, excursão de um dia inteiro para uma pequena ilha próxima (não fui).

Vale de los Ingenios, dá pra ir a cavalo ou de taxi para conhecer o vale e visitar antigos engenhos de açúcar (não fui).

Topes de Collantes, cidade vizinha onde há uma trilha para cachoeira e um poço de água maravilhoso. Vá de carro e combine antes o valor e o passeio. A trilha foi puxada pra mim (no mínimo uma hora para ir, outra pra voltar), mas valeu a pena.

 

Onde ficar 

Em qualquer cidade que estiver em Cuba, tente se hospedar na casa de um cubano. Há muitos sites onde você pode encontrar um bom lugar para ficar (Casa Havana ParticularCasa Particular, Casa Cuba e, agora, até o Airbnb). Procure com antecedência porque devido aos problemas com a internet, eles costumam demorar para responder.

Vale avisar que os lugares anunciados na internet já se profissionalizaram e não tem mais aquela característica de “hospedagem na casa de um cubano”. Provavelmente a esta altura a área dedicada ao hóspede é mais reservada do resto da casa e o convívio não é tão próximo. Como qualquer bed & breakfast por aí. Se quiser uma experiência mais “caseira”, deixe para procurar lá.

Toda pessoa que pode alugar um quarto em Cuba vai fazer isso, então a oferta é grande. Você vai identificar a casa que oferece hospedagem com um símbolo na porta. Claro, quanto menos “profissional” a casa, menos conforto. Esteja preparado. Se conforto é uma prioridade, pesquise bastante os reviews no TripAdvisor.

Aliás, tenha clareza de como são as condições de Cuba antes de viajar para lá. Chuveiros que não funcionam bem, banheiro minúsculo e sem sabonete, colchão velho, café da manhã simples, tudo isso é bastante comum. Mesmo as casas bem avaliadas podem apresentar um ou dois desses problemas acima. Faz parte.

Converse bastante com seu anfitrião em busca de dicas e bom papo. A senhora que me recebeu em Havana foi uma das primeiras pessoas a trabalhar no projeto de educação instaurado por Fidel assim que assumiu. Quando se formava, todos tinham um treinamento específico para ensinar a alfabetizar e viajaram o país com essa missão. Adorei ouvir o relato dela de como tudo isso aconteceu (uma lágrima escorrendo vez ou outra, pois eram dias sensíveis).

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Pizza de lagosta, em Trinidad

 

Onde comer 

A comida cubana em geral é simples e muito parecida com a nossa. Arroz, feijão, frutas. Mas aqui também é possível se esbaldar com frutos do mar maravilhosos e baratos. Lagosta e camarão todo dia? Sim, é possível. Carne de porco também é uma especialidade. A dica para comer bem e barato (em qualquer lugar do mundo) é pesquisar antes e levar uma listinha de bons lugares. Aqui vai a minha contribuição:

Chanchulero Bar (Havana, Teniente Rey, 457): pratos e drinks ótimos com bom preço e ambiente alternativo.

Dandy Café & Restaurant (Havana, Teniente Rey, 401): descoladíssimo.

Art Pub (Havana, Teniente Rey, 306): happy hour com drink em dobro.

Habana 61 (Havana, Calle Habana, 61): restaurante número 1 do Tripadvisor. Pequeno e chique com ótimo custo x benefício e o melhor daiquiri que tomei em Cuba.

304 O’Reilly (Havana, Calle O’Reilly, 304): depois do Chanchullero, é o lugar mais hipster de Havana. Comida maravilhosa, drinks maravilhosos, tudo caprichado e também com ótimo custo x benefício).

Venami Pizza (Havana, Montserrate, 435): uma pequena pizzaria com pizzas bastante honestas e baratas.

Factoria Plaza Vieja (Havana, Plaza Vieja): fábrica de cerveja artesanal onde você pode beber uma torre de chope nas mesinhas que ficam no meio da minha praça preferida em Havana.

Cubanito Bar (Havana, Plaza Vieja, no comecinho da calle San Ignácio, ao lado do Victrola Bar): drinks bons e baratos.

Barraquinhas de coco glacê: você pode encontrar em algumas esquinas de Cuba um carrinho vendendo este sorvete, que é feito de coco, leite de coco e água de coco, é servido na casca do coco e é maravilhoso. Não perca a oportunidade quando ver um. Na esquina da Plaza Vieja com calle Mercaderes sempre tem um vendedor.

La Ceiba (Trinidad, Calle Pablo Pich Girón, 263): A ceiba é um tipo de baobá, árvore trazida pelos africanos. É considerada sagrada, morada dos espíritos, por isso nunca é cortada. Esta casa foi construída ao redor de uma ceiba belíssima, onde funciona um paladar (restaurante caseiro) no terraço. Vá no fim da tarde. É um lugar lindo com comida deliciosa.

Giroud (Trinidad, Calle Rosario, 403): A melhor pizza do mundo? Para mim é a cubana pizza de lagosta do Giroud. PIZZA DE LAGOSTA (isso mesmo, senhoras e senhores), é a melhor coisa que eu comi na minha vida.

La Botija (Trinidad): Música ao vivo e boa comida. Aqui você ouve algo além da salsa-para-turistas dos outros restaurantes. No dia que eu fui, rolava um grupinho de jazz bem legal (apesar de terem cantado Djavan). O hambúrguer daqui é maravilhoso. Dá um banho no nosso melhor hambúrguer gourmet.

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Pôr do sol no terraço da casa onde fiquei hospedada, em Trinidad

Como você pode ver, esbanjei em Cuba. Talvez seja algo recente, impulsionado pela abertura de pequenos negócios voltados ao turismo. A conta do restaurante nesses lugares que mencionei variam de $10 a $20 por pessoa (aqui é cobrado 10% de taxa). É possível comer com muito menos, basta ficar atento às lanchonetes frequentadas pelos cubanos. Um lanche ou pizza com bebida neste caso pode sair por menos $5 por pessoa.

Minha última dica é experimentar todos os drinks que surgir pelo caminho. Mesmo que você traga várias garrafas de rum na mala, os mojitos e daiquiris fora de Cuba não tem o mesmo gosto. Há algo na atmosfera cubana que vai deixar muita saudade.

Um detox de consumismo em Cuba

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Recém chegada em Havana, sabia de nada, inocente.

Embora separadas por um oceano de diferenças culturais, Miami e Havana estão a menos de 400km de distância uma da outra, o que torna essa relação muito estranha e interessante. Assim que desembarquei no Aeroporto Internacional José Martí, assistia televisores gigantescos passeando pela esteira, enquanto esperava pela minha bagagem que demorou mais de duas horas para aparecer. Caixas e mais caixas de full HD, 3D, 4K, 60 polegadas, coisa que eu nem sabia que existia, muito menos por aqui. Mais tarde, descobriria que ter uma televisão dessas em um lar cubano pode alavancar a economia de uma família, que cobra por volta de 3 dólares uma entrada para o cinema caseiro.

Desde que Raul Castro permitiu a exploração do turismo no país e regulamentou os pequenos negócios familiares, os ventos da mudança estão soprando suavemente por aqui. Muito mais do que a visita do Obama ou a morte do Fidel, o que realmente está mudando Cuba é a circulação do dinheiro e o nascimento do empreendedorismo em um dos últimos países do mundo que ainda resiste ao capitalismo.

Um cubano que aluga o quarto para um turista, faz uma corrida de carro do aeroporto para o centro de Havana no seu Lada velho ou serve uma refeição completa e caprichada para um casal em seu restaurante caseiro (chamado de paladar) ganha de 25 a 30 dólares. É o mesmo que o salário médio de um mês inteiro de trabalho. Por isso não é difícil adivinhar por que todo mundo quer empreender em Cuba. E neste cenário surgem negócios surpreendentemente criativos como a revitalização de roupas usadas pelos designers descoladíssimos da marca Clandestina (uma proposta genial da qual falarei num próximo post).

Também é deste movimento que começa a surgir um tipo de quebra no sistema de igualitarismo idealizado por Fidel. Afinal, quem pode explorar o turismo está ganhando muito mais do que os outros, certo? É verdade. Mas também é verdade que apesar da pobreza, não há miséria. Uma vez que todos tem acesso ao básico, a diferença social que começa a aparecer ainda é muito rasa comparada ao abismo que temos no Brasil, só para dar um exemplo.

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Restaurante que funciona em um dos cômodos da casa.

Esta é apenas uma introdução para contextualizar minimamente minha experiência em Cuba, já que é seguramente impossível compreender toda a complexidade da vida cubana em uma visita. O fato é que a semente do capitalismo já brotou, enquanto o socialismo ainda não morreu. O que faz deste lugar um destino incrível para dar um nó na sua cabeça e um detox definitivo no consumismo.

Apesar da cultura pop influenciar visivelmente os jovens cubanos, que querem parecer  cool como qualquer jovem do planeta, eles estão se virando muitíssimo bem sem as fast fashion. Todos dão seu jeito. As funcionárias do governo usam meia-calça preta rendada por baixo do uniforme, os meninos adotam o corte de cabelo dos jogadores de futebol, muitas cores e roupas justíssimas enfeitam as meninas a caminho da balada. Que aliás, são muitas.

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Taxista e estiloso.

O pouco dinheiro extra que os cubanos conseguem, investem em diversão. Dados do Departamento Nacional de Estatística de Cuba mostram a presença constante dos cubanos na ocupação dos hotéis (mais de 7 milhões de diárias em 2014) e também é bastante comum encontrar moradores nos restaurantes e bares da cidade, com exceção dos lugares mais chiques. Encontrar cubanos apreciando sua malta gelada no fim do dia é uma rotina em Havana. Até mesmo em Varadero, a praia mais famosa e desejada de Cuba, é frequentada pelos locais. Isso me agrada particularmente, pois não é comum em outros destinos caribenhos como Bahamas e Cancun, onde a maioria dos nativos apenas servem as mesas.

Espero que essas características sejam preservadas durante a transição gradual e inevitável ao capitalismo. É uma sociedade que avançou muito nos últimos 50 anos. Enquanto os prédios e carros se deterioravam ao seu redor, a população cubana se desenvolveu profundamente por dentro. Citando uma comparação um pouco boba mas bastante realista do guia Lonely Planet, “Cuba é um príncipe em um casaco de homem pobre”.

Quando perguntei para Bárbara, uma senhora muito fina que me recebeu em Havana, se os adolescentes não se ressentiam em não poder usar roupas novas como as dos turistas, ela pareceu não entender a pergunta. Depois de refletir um pouco, respondeu “é como eu ensinei aos meus filhos: o mais importante para a imagem de uma pessoa é estar com as roupas limpas, costuradas onde estiverem rasgadas e saber bem do que fala. Não adianta nada estar com roupas bonitas e da boca só sair besteira”. Uma bela lição de moral, mas não foi a primeira e nem a última que recebi em Cuba. Recomendo fortemente.

 

 

6 coisas que eu aprendi vivendo apenas com uma mala de roupas

Durante este ano de desafio muita coisa mudou. Acho que ficou muito claro para quem me acompanha aqui no blog o quanto esta experiência transformou a minha relação com o consumo e comigo mesma. No começo, você acha que é sobre roupas ou sobre economizar dinheiro. Mas na verdade é muito mais.

Resolvi fazer um resumão sobre o que passou. Para quem está chegando agora e também para quem lê o blog desde o comecinho e quer saber como estou me sentindo agora.

Aqui está o que eu aprendi:

1. Reduzir as coisas simplifica a vida. Ter mais do que você precisa gera bagunça e o excesso nos deixa confusas. Lá atrás do armário vivem muitas peças escondidas que você sequer lembra que existem. É daí que vem a sensação de nunca ter o que vestir. Vai por mim, com menos peças no armário você vê tudo o que tem de uma vez e fica muito mais fácil se arrumar. Sem falar que escolhendo apenas aquelas roupas que você gosta, a chance de sair de casa satisfeita é muito maior.

2. Passamos 80% do tempo usando apenas 20% das nossas roupas. Este é o princípio de Pareto livremente adaptado para o guarda-roupa, mas realmente funciona! Quando eu me livrei de 80% das minhas roupas, admito que bateu uma insegurança no início, mas sabe o que aconteceu? Mesmo ficando com um número bem reduzido de roupas, existem algumas que eu simplesmente não usei durante o ano inteiro! Ou seja, o número do que cada um precisa pode variar, mas provavelmente ainda pode ser menor do que o que você já tem.

3. Comprar é um mau hábito. Estamos o tempo inteiro sendo estimuladas a comprar mais, mais e mais. Isso nos leva a uma sequência de compras por impulso que, no final da história, se mostram desnecessárias. Nos primeiros três meses, foi difícil ficar sem comprar. Mas logo percebi que nada mudou na minha vida por deixar de ter isso ou aquilo. Depois que a vontade passa, você entende que realmente não precisa de mais coisas e aprende a evitar todos os gatilhos que a fazem comprar por impulso.

4. As comprinhas devoram o seu orçamento. Aquele armário entulhado de coisas que você não usa representa uma boa soma em dinheiro. Para saber exatamente de quanto estamos falando, vale a pena somar tudo o que você gastou no último ano. A resposta pode surpreender. Na verdade, gastamos com coisas que não valorizamos e daí nunca sobra dinheiro para fazer o que realmente queremos, como viajar, estudar ou colocar em prática aqueles planos que exigem um pouco mais de grana. Perceber isso pode melhorar e muito a sua vida financeira.

5. O estereótipo da mulher consumista é uma armadilha. Esta história de que mulher compra demais porque é fútil é uma grande injustiça. Depois de uma porção de centenas de anos julgando a mulher pela aparência, não é difícil entender por que gastamos tempo e dinheiro com isso. O consumismo feminino está diretamente ligado ao padrão de beleza que somos pressionadas a seguir. O melhor antídoto pra isso é aprender a se conhecer e gostar de si mesma. Quem está satisfeita não precisa comprar pra ser feliz.

6. Menos é mais. Pra tudo na vida. Quando você consegue se colocar no lado de fora da engrenagem do consumismo, descobre a cilada em que estamos metidos. Todas essas coisas que acumulamos à nossa volta custam mais do que dinheiro, custam também tempo, energia e qualidade de vida. Se esforçar para viver com menos faz você enxergar com clareza o que antes passava despercebido. Descobre o que te traz mais satisfação e custa zero reais. Só que isso eu não posso revelar aqui porque são coisas diferentes para cada pessoa, e cada um precisa trilhar o próprio caminho. Mas a minha dica é que você comece logo e aproveite muito.

O que fazer com as roupas que não servem mais?

Resposta rápida: Livre-se delas.

Resposta completa: A primeira coisa que Marina faz quando acorda é abrir o armário para escolher o que vestir. E todos os dias ela precisa bater o olho na calça 38, que já não serve há um tempo, mas está aguardando o retorno triunfal. Pega rapidamente a legging e a bata comprida porque sempre cabem e cobrem direitinho o que ela quer esconder. Quando é dia especial, até experimenta os vestidos maravilhosos de cinco anos atrás, mas eles apertam, ou nem fecham.

É senso comum que essas peças no armário servem de estímulo para voltar ao que era antes e por isso Marina continua com aquele jeans ali. Um lembrete diário do que um dia foi ou deveria ser o seu manequim. É uma forma bem desagradável de dar bom dia para si mesma.

Este é um hábito que eu tinha e eu sei que muitas de vocês também porque a pergunta é frequente aqui no blog. Então, gostaria de dar algumas sugestões para o que fazer com essas roupas, mas todas significam tirar isso aí do seu armário.

Você pode estar emagrecendo ou não. Você pode estar tentando ou não. Mas esse “incentivo” que até parece positivo, na verdade, é mais uma forma de se colocar pra baixo e dizer para si mesma que você não é como “deveria”. É uma maneira injusta de deixar a sua vida em modo de espera, de adiar seus planos para um momento futuro, quando você finalmente vai usar aquelas roupas e ser feliz.

Mas o melhor dia para sentir-se bem é hoje. O seu corpo de agora é o único que existe. Você acordou com ele e vai dormir com ele, de maneira que é melhor tratá-lo bem. Troque a sua mensagem matutina de insatisfação por alegria. Como? Vestindo uma roupa confortável, respeitando as suas medidas e o seu gosto pessoal. Se você só tem um par de roupas que servem agora, não significa que precisa emagrecer instantaneamente. Significa que você precisa fazer compras.

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E a calça 38 e os vestidos maravilhosos?

Doe: A experiência vivendo com uma mala de roupas me ensinou que ter poucas peças que respeitem a nossa vida atual é um ótimo jeito de simplificar a vida e nos tornar mais conscientes e satisfeitas de modo geral. Por isso, não vejo motivo nem espaço para manter as roupas que não servem aí no seu armário. Isso vai aliviar a sua ansiedade e trazê-la para o presente. Desapega.

Venda: Se você está sem grana para sair comprando coisas novas agora, pode vender as peças que não servem e usar o dinheiro para comprar roupas que servem. Claro que você vai gastar um tantinho a mais nessa troca, mas é um investimento que vale a pena. Ter um guarda-roupa que serve em você é importante. Usando roupas que gosta e caem bem, você talvez perceba que pode viver muito bem assim e desencana do número do jeans. Afinal, é só um número.

Guarde: Se desencanar não é o seu caso e você está em processo de emagrecimento, tudo bem também. Mas as roupas que ainda são menores do que você também deveriam sair da vista. Guarde tudo em uma mala e esqueça disso por um tempo. Faça as pazes com o seu momento presente. Quando estiver à procura de peças menores, você pode fazer compras no seu próprio armário e resgatar essas peças. Vai ser um sentimento muito mais positivo do que o peso da presença daquele jeans todas as manhãs de todos os outros dias.

Se você se identificou com o texto, recomendo o blog Não sou exposição