Como a moda está se transformando em Cuba e o que podemos aprender com isso

No coração de Havana Vieja, uma lojinha descolada chama atenção entre tantos prédios decadentes. É a Clandestina, marca cubana que está ressignificando a moda upcycling em Cuba.

Este termo, que só recentemente começou a chamar atenção da indústria da moda, já é um velha prática em Cuba. Desde a queda da União Soviética, quando a economia degringolou de vez, eles precisavam se virar com o que tinham. E o que tinham eram muitas toneladas de roupas de segunda mão.

O governo importava essas peças e as revendiam como “roupas recicladas”, muitas vezes velhas e de má qualidade. Os cubanos apelidaram essas lojas de “trapishopping” (loja de trapos).

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Mas Cuba agora vive outro momento. Está se abrindo para o mundo e a energia criativa pulsa forte por aqui. O turismo está fazendo o dinheiro circular e isso impulsiona pequenos negócios. É daí que vemos surgir espaços culturais interessantíssimos e  iniciativas como a Clandestina.

Idania del Río e Leire Fernandez são duas mulheres jovens que conseguiram criar uma empresa única. A Clandestina não se parece nem um pouco com as estatais “lojas de trapos” e também está muito longe de ser uma loja de roupas como as que conhecemos. O que elas oferecem é um discurso. Aqui, temos mais do que um exemplo funcional de moda sustentável, mas uma prova de que é possível fazer moda com significado.

A coleção vintrashe utiliza roupas de segunda mão, que trazem uma intervenção artística mais sofisticada. Acima de tudo, a Clandestina é uma loja de design. Os produtos carregam uma influencia forte do que é feito no resto do mundo. Por fora, é uma loja cool como você encontraria facilmente em Barcelona ou Nova York. Mas, olhe mais de perto e você encontrará um organismo vivo e super complexo. Como tudo em Cuba.

Eu conversei com a Leire sobre como foi este processo até aqui e para onde elas pretendem caminhar. Confira a entrevista na íntegra.

Dani: A loja me surpreendeu quando estive em Havana. É uma iniciativa muito interessante, considerando as limitações ainda existentes em Cuba. Como surgiu a ideia? 

Leire: Idania e eu nos conhecemos em 2013 e decidimos desenvolver um projeto para vender produtos que refletissem a Cuba contemporânea, o trabalho de jovens artistas, designers e músicos. Apesar do isolamento e da crise econômica que Cuba tem vivido nas últimas décadas, esses jovens tem uma visão muito conectada com as tendências globais.

Dani: Quais são os principais desafios que um empreendedor encontra na Cuba atual? 

Leire: Toda a cadeia de produção. Há restrições para importar e exportar e temos dificuldade para encontrar todo tipo de equipamento. Até mesmo agulha e linhas! Também falta cultura empreendedora. Raul (Castro, presidente desde 2008) é um grande incentivador, mas o sistema todo ainda é muito burocrático e desanimador. Trabalhar com os bancos, impostos, contratos, burocracia em geral, tudo é um desafio. É como ser a primeira pessoa a chegar à Lua. Ainda há muito a fazer.

Dani: A Clandestina é super descolada. Como é o processo de criação das peças? 

Leire: 100% dos produtos são feitos em Cuba e 80% vem de materiais reciclados: tecido, papel, sacolas, nylon, até câmaras de bicicleta. Tudo vale. Nós funcionamos como uma plataforma para talentos do Design. A Idania é responsável pela direção artística, mas há criação de muitas outras pessoas. Trabalhamos muito coletivamente.

Dani: O conceito de moda upcycling está em alta. Como vocês reaproveitam as roupas usadas na coleção vintrashe

Leire: Em Cuba o bem social e cultural está sempre em primeiro lugar. Quando pensamos em fazer qualquer coisa, pensamos sempre em como isso vai afetar o outro. É um pensamento natural. O conceito de reciclagem e upcycling estão no centro disso. Nós trabalhamos com o que os outros países consideram lixo. Pegamos isso e transformamos em algo legal, que traga impacto positivo para a vida das pessoas. Aqui temos um verbo que se chama “resolver” (acho que seria o equivalente ao nosso “jeitinho”) que significa usar criatividade e inovação para chegar aonde você quer usando o que tem em mãos. É isso o que nós fazemos. Uma peça vintrashe é puro amor e dedicação. Selecionamos as peças uma a uma, pensamos no que ela pode se transformar, desmontamos e remontamos. Leva tempo, leva dedicação. Não é possível produzir em escala industrial e isso é ótimo. Certa vez, nos pediram um grande volume de peças vintrash para vender em Nova York. Isso não tem sentido. Cada peça é única e tem sua vida e sua história.

Dani: É consumo sustentável em diferentes níveis. 

Leire: Exato. Somos uma comunidade que quer ser sustentável em uma economia quebrada. Estamos em busca de um modelo que funcione. Essa é a força que usamos para nos reinventar. Esta reinvenção precisa estar conectada com tudo o que aprendemos nos últimos anos, com a Revolução e com a crise econômica. É um legado intenso, profundo, que nos tornou muito mais críticos em relação a todo o consumo, com o que é uma real necessidade e o que é banalidade.

Dani: Temos sofrido especialmente com a cultura de fast fashion, o excesso de roupas e a ideia de que elas podem ser descartáveis. Iniciativas como a sua podem mudar isso. Como você acha que podemos utilizar a moda de maneira mais saudável? 

Leire: Idania e eu acreditamos muito no poder social das empresas. Uma empresa pode ser sustentável e ter altíssima responsabilidade. Alguns amigos nossos abriram uma empresa no México que leva luz a áreas rurais onde nunca houve iluminação elétrica, se chama Ilumexico. Eles instalam sistemas sustentáveis e ajudam os moradores com sistemas de financiamento. Isso é incrível. No setor da moda também podemos fazer o mesmo, assumir uma responsabilidade social. Mas é acima de tudo, uma decisão pessoal, como podemos assumir este compromisso em nossas vidas?

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O que fazer depois do desafio? Novas regras para o Less is the new black

Passei um ano sem comprar roupas novas e vivendo com o que coube na minha mala: 50 peças. Disso você já sabe. Se está chegando por aqui agora e quer entender o desafio, eu conto tudo nos posts anteriores do blog.

Eu estava com algumas ideias sobre o que fazer em seguida, mas não queria tomar nenhuma decisão sem saber como seria esse pós desafio. Tirei férias do blog, observei e refleti muito antes de formular definitivamente o que será este projeto de agora em diante.

Assim que acabou o meu ano sem compras, muitos acharam (eu mesma, inclusive) que a primeira coisa a fazer seria, naturalmente, comprar. Mas demorou até isso acontecer. Sem dúvida consegui acabar com as compras por impulso durante o desafio. Só por isso já teria valido a pena. Mas a mudança foi muito mais profunda. E isso eu também já expliquei aqui.

Três meses se passaram sem comprar nada novo. Mas eu comecei a entrar novamente nas lojas e experimentar muita coisa. Eu nunca gostei de experimentar roupas, achava trabalhoso e desnecessário. Realmente, é trabalhoso, mas extremamente necessário. É a única maneira de aprender o que funciona bem em você. Comprar sem experimentar é garantia de mais uma peça abandonada no armário.

E não queremos mais peças abandonadas no armário, certo?

Para evitar voltar a acumular coisas agora que eu me permiti a comprar, minha primeira decisão é continuar com o número de peças que tenho hoje. Decidi que esta quantidade de roupas funcionou bem para mim, cabe na minha mala, deixou o meu guarda-roupa mais organizado e a minha vida mais simples.

Então, o desafio continua com as seguintes regras:

  1. Viver bem com 50 peças de roupas.
  2. Para entrar uma roupa nova no armário, outra tem que sair.

Sou grata ao guarda-roupa que me acompanhou no último ano. Ele funcionou muito bem, não senti falta de nada e vivi feliz da vida com o que eu tinha. Aprendi muito com ele e chegou a hora de fazer algumas mudanças. É preciso. A vida muda, a gente muda.

No ano passado, ao escolher as peças que ficariam, optei pelas roupas com as quais eu conseguiria fazer o maior número possível de combinações. Foi uma aposta segura. Hoje, estou mais confiante e sei que dá pra se virar lindamente com uma quantidade limitada de roupas. Estou pronta para incluir mais cores e estampas nesse caldo.

Com isso em mente, comecei a pensar em algumas substituições para o meu novo armário cápsula. Mas isto já é assunto para o próximo post onde conto tudo o que entra, o que sai e o porquê. Aqui vai só um preview:

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Peças novas:

Body preto (roubado da mãe)
Saia pareô chevron (Loja Três)

 

 

Dia #148 Noiva minimalista

Eu sei que a busca pelo vestido de casamento é um momento único e a gente quer uma coisa que represente toda a alegria que estamos sentindo naquele momento. Não pode ser qualquer vestido. Essa tarefa não é nada fácil, principalmente se você busca um estilo mais simples, minimalista (e barato).

Fiquei feliz em descobrir hoje esta iniciativa bacanérrima de três amigas que empreenderam no ramo dos vestidos de noiva. Corri pra contar a dica pra vocês (vai que alguém por aí vai juntar as escovas em breve). Elas criaram uma loja virtual de vestidos que custam a partir de R$300 (o mais caro custa R$1.300).

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O mais legal é que os modelos são todos minimalistas. Muito charme e simplicidade! Perfeitos para casamentos pequenos, no campo ou na praia onde a gente não pode – e não quer – gastar muito, mas espera que tudo seja muito especial.

A loja oferece alguns modelos que são feitos sob medida. E as costureiras que fizeram o vestido ainda mandam um bilhetinho junto, escrito à mão, desejando felicidades para o casal ❤

E olha o nome da loja, gente, que coisa linda: O Amor é Simples.

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Veja outros looks com as peças usadas hoje!
short preto alfaiataria
regata preta listrada
camisa jeans